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Fernando Diniz, o elenco tricolor e a necessidade de adaptação

No próximo sábado começa uma nova era para o Fluminense. Sob o comando de Fernando Diniz, o Tricolor estreia no Campeonato Carioca diante do Volta Redonda com a expectativa de apresentar um jogo pouco convencional no Brasil. Num futebol acostumado a planejamentos mais simples, ortodoxos, onde os times apresentam basicamente a mesma ideia (cada uma adaptada ao seu elenco, logicamente), é certo que veremos um Fluminense fugindo do script. Sem entrar nos méritos e na discussão sobre qual estilo é correto ou não (que, de fato, seria muita presunção da minha parte), uma coisa é inegável: vai ser interessante de acompanhar o desenvolvimento desse Flu.

Primeiramente porque, baseando-se no último trabalho de Diniz, no Atlético Paranaense (hoje Athletico), o treinador teve dificuldades para apresentar resultados efetivos. O elenco comprou os ideais de Diniz, não à toa levavam a campo realmente os mecanismos que balizam o estilo, mas nem sempre foi possível jogar dessa forma e conquistar três pontos. Consequência da falta de sensibilidade para a construção de um plano B, o segundo problema. Fernando Diniz em nenhum momento abriu mão do plano A, então ficou praticamente previsível enfrentá-lo. Depois de vencer o Furacão no Maracanã por 2×0, Abel Braga, perguntado na coletiva sobre o que foi feito na semana de para o confronto, foi enfático: “falei para os meus jogadores: entreguem a bola. Só isso”. Uma declaração simples, mas preocupante, pelo fato de “enfrentar equipes de Fernando Diniz” ter quase que virado sinônimo de “não encontrar resistência”.

As primeiras semanas de trabalho têm sido bastante intensas no CT Pedro Antonio. O elenco treina em tempo integral, sob um forte sol na quente região. A imprensa, logicamente, não tem acesso às atividades, e quando é liberada para a sala de coletiva por vezes assiste somente aos minutos finais de um treino, quando os jogadores já estão em outro ritmo. Em uma dessas liberações mais cedo, Diniz ainda comandava um coletivo tático, onde dois times estavam posicionados em um espaço reduzido. O objetivo de um era sair jogando desde a defesa em toques curtos, com o goleiro participando a todo instante, e o do outro abafar a marcação (clique aqui para ver um pequeno registro que fiz: https://twitter.com/victormendes8/status/1082281137081405440). Saída desde trás e marcação pressão, características primordiais do jogo de Diniz.

Um dos debates mais assíduos do futebol envolve a associação entre o talento e a estratégia: até que ponto, para um treinador, vale a pena abandonar suas convicções para se adaptar a uma individualidade? O contrário também vale, é claro: até que ponto vale a pena ser tão convicto (ou teimoso, a depender da interpretação) e deixar de escalar uma peça diferencial? A verdade é que, em ambos os casos, há exemplos e exemplos para citar, sejam positivos ou negativos. E o currículo de Fernando Diniz dá a entender que ele é um profissional que preza por um raciocínio de “como eles podem se adaptar a mim?” do que “como vou me adaptar a eles?”.

Pelo o que venho apurando, é provável que neste início de temporada o 4-3-3 seja o esquema base, com uma variação para o 4-2-3-1. Bruno Silva e Aírton formando a dupla de volantes, com Everaldo, González e Matheus Gonçalves mais à frente, na linha dos meias. Há a possibilidade de Luciano ter mais minutos como meia-atacante e González atuar de centroavante. Bom, só nesse esboço já é possível notar que existe muita correria, físico, combate e pouco “raciocínio” (leia-se: jogadores cerebrais), até pela carência existente no elenco. E aí entra em questão justamente a parte da adaptação. Será possível executar esse jogo mais ofensivo, de manutenção da posse de bola, com esses jogadores?

O tempo e o trabalho irão dizer mais sobre o futuro do Fluminense. O Campeonato Carioca certamente servirá como um laboratório para os maiores desafios da temporada. E, mesmo no Cariocão, vai ser possível observar se Diniz em algum instante irá ceder caso não esteja em um bom dia. Saber o timing certo para apostar em algo mais pragmático será essencial para o futuro saudável do time e do comandante em 2019.

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