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Fluminense, Maracanã e reportagem

Maracanã (Foto: Victor Mendes)

“Fim de papo, fim de festa, o Fluminense vence o América-MG por 1×0 e garante sua manutenção na primeira divisão do Campeonato Brasileiro!”

Com essas palavras, encerrei ontem à noite minha última reportagem de campo do ano, dizendo adeus ao Maracanã em 2018. Com a responsabilidade de atualizar esta coluna a cada semana, prometo que os próximos textos não serão autobiográficos. Mas, para uma estreia, seria até inevitável da minha parte não levar a você, ouvinte e agora leitor da Rede Mais Esportes, resumidamente o que penso sobre futebol, jornalismo, rádio e até sociedade.

Uma semana tem sete dias e em cinco eu fico totalmente desanimado com o futuro do jornalismo, as incertezas da profissão e todos os outros problemas. Mas aqueles dois dias de otimismo também falam alto. E ontem foi um exemplo. Já fiz jogos de Libertadores, Sul-Americana, final de Estadual, clássicos, mas o Fluminense 1×0 América-MG foi completamente diferente. Era jogo que poderia decretar o rebaixamento do Fluminense, e a carga de tensão envolveu completamente o Maracanã, dentro e fora de campo.

Confesso que sou um profissional que sempre tento interpretar o futebol do jeito que ele merece: não como um fenômeno puramente esportivo, mas sim sócio-cultural. É por isso que evito sempre que posso ir de carro aos jogos. O transporte público de certa forma é uma inspiração para trabalhar. A expressão dos torcedores nos vagões de trem, no metrô ou nos bancos do ônibus já indicam até qual tom levarei pro ar. Não poderia ter sido diferente nesse final de semana. Cada torcedor no trem exibia uma preocupação visível.

Essa vida de repórter não é fácil. Haja correria. Liga pra dirigente pra confirmar apuração, perturba assessor atrás de entrevista, entra em contato com empresário para se informar sobre questões contratuais, chama aquele jogador que nem sempre quer falar e passa na encolha na zona mista porque você tem que ter seu material pros dias seguintes. Eu aprendi observando colegas de trabalho e na própria pele que repórter bom é aquele mala. Quanto mais chato, mais aprofundada será sua notícia.

A rotina é cansativa, mas a vida é feita de escolhas e assim caminha a humanidade. Parafraseando o título da coluna do Michel Menaei: rádio e futebol. Tem coisa melhor?

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