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Sul-Americano Sub-20: fracasso expõe negligência da CBF com trabalho de base

A Seleção Brasileira Sub-20 passou mais uma vergonha histórica ao não conseguir a classificação para o Mundial da categoria que irá começar em maio, na Polônia. E o uso da palavra histórica não é mero sensacionalismo: no hexagonal final, o time treinado (?) por Carlos Amadeu conseguiu apenas uma vitória, justamente na última rodada, o 1×0 contra a Argentina que impediu o título dos hermanos. Em quinto lugar, ficou somente à frente da Venezuela, muito por causa da incompetência dos venezuelanos, uma das forças da fase de grupos, mas que perderam os três jogos finais e conseguiram o que parecia impossível, ficar sem uma das vagas. Não bastasse o fato de ter ficado em quinto num formato que contava somente com seis seleções, pela segunda vez consecutiva a Canarinho, cinco vezes campeã mundial também no sub-20, não vai à Copa do Mundo. E, bom, eu até entenderia se nos times de 2017 e 2019 a ausência de individualidade fosse tão alarmante. É que não é o caso. Em 2017, o time treinado por Micale contava com David Neres, Douglas Luiz, Richarlison, Felipe Vizeu e Lucas Paquetá, por exemplo. O deste ano tinha Rodrigo e Lincoln.

Coordenador das categorias de base da CBF, Branco falou em “calma” para avaliar a seleção. Mas os números deixam claro o vexame: foram somente seis gols em doze jogos, uma média baixíssima para um futebol cujo o DNA é ofensivo, mágico, estrelar. Em cinco duelos o Brasil foi incapaz de bater a meta adversária: empates contra Equador e Colômbia, duas vezes, e derrotas para Chile e Venezuela. Menos dois de saldo e a pior campanha da seleção na história do hexagonal. Um fracasso retumbante.

E não foi coincidência. Quem acompanha com mais afinco a base no Brasil sabe que há alguns anos a CBF parece “sucatear” as seleções inferiores brasileira. Quem esperava uma evolução ou até mesmo um legado depois da sonhada conquista da medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 2016 enganou-se. Há dois anos, chegava ao fim a gestão de Rogério Micale no comando técnico do sub-20 e Erasmo Damiani como coordenador de base. Damiani era funcionário exclusivo da função, diferentemente de seus dois antecessores, Ney Franco e Branco, que acumulavam funções de treinador. De lá pra cá o trabalho foi verdadeiramente solapado. O que se viu no restante de 2017 e meados de 2018 soou alarmante: a CBF foi incapaz de contratar um profissional para coordenar os times sub-15, sub-17 e sub-20 por incríveis um ano e dez meses. Edu Gaspar passou a responder pela base no período, algo duramente criticado por Damiani.

Em entrevista ao Correio Brasiliense em 2018, o profissional disparou: “O Edu nunca acompanhou a base. Em sete meses lá, disse que a gente (ele e Micale) não servia. Tudo bem, não servíamos, mas aí não entra ninguém? Que tipo de embasamento é esse?”. O projeto era não ter projeto. “Sem” coordenador, a Seleção Brasileira logicamente não contou com um treinador. O pior: por quase um ano. Só em janeiro de 2018, onze meses depois da demissão de Micale, Carlos Amadeu foi contratado para comandar o sub-20, com a experiência de ter feito uma ótima campanha que levou o sub-17 ao terceiro lugar do Mundial de 2017. Em outubro, Branco retornava para ser o novo coordenador. Naturalmente, durante o “período fantasma”, o Brasil Sub-20 inexistiu: não disputou torneios ou jogos amistosos.

Foi nesse contexto que Amadeu assumiu a Seleção tendo que prepará-la ao Sul-Americano. Também houve imprudência do técnico. Nos amistosos preparatórios de outubro do ano passado, contra a Colômbia, Amadeu convocou uma base que já sabia que dificilmente contaria no torneio da Conmebol. Já era de conhecimento público que Vinicius Junior, Marcos Bahia, Paulinho, Matheus Cunha, Mauro Júnior e Vitinho não seriam liberados pelos seus clubes (todos atuam na Europa e como o Sul-Americano não consta como Data Fifa não há a obrigação de serem liberados pelos seus times). O ataque do Brasil no último amistoso contra a Colômbia teve Vinicius Júnior, Matheus Cunha e Paulinho. Contra os próprios Cafeteros, há uma semana, foi Rodrygo, Lincoln e Marquinhos Cypriano. Sentido? Zero.

E agora? O futuro é uma incógnita. Carlos Amadeu declarou ter vontade de continuar e dar a volta por cima. Branco, como supracitado, deixou no ar uma continuidade do comandante. Em abril, o diretor-executivo de Gestão da entidade, Rogério Caboclo, assume a presidência da confederação. Ele já prometeu mudanças na comissão técnica principal em caso de desempenho ruim na Copa América. Edu Gaspar. A ver o planejamento para as categorias inferiores.

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